domingo, 29 de agosto de 2010

Profeta Isaías - Vida e Ministério (Isaias)

PROFETA ISAÍAS – VIDA E MINISTÉRIO

VIDA DE ISAÍAS

Isaías, filho de Amós, provinha ao que parece de uma rica e respeitável família de Jerusalém, visto que não somente se registra o nome de seu pai, mas ainda desfrutava de estreita relação com a família real e com os mais altos funcionários do governo. Embora, talvez, tenha iniciado seu ministério profético no final do reinado de Uzias, menciona o ano da morte deste rei, provavelmente 740 a.C., como a época em que recebeu a unção e incumbência especial de Deus no templo (capítulo 6). Foi-lhe ordenado que pregasse com intrepidez e de modo inflexível uma mensagem de advertência e denuncia contra seu povo, pela impiedade de conduta e pela idolatria, chamando a nação para um sincero arrependimento e reforma. O idólatra Acaz odiou-o e criou-lhe obstáculos, mas foi favorecido e respeitado pelo rei Ezequias (716-698 a.C.), o qual, contudo, não levou em conta as advertências do profeta contra a aliança com o Egito. Isaías foi, provavelmente, martirizado pelo rei Manassés, brutal e depravado filho de Ezequias, isso por volta do ano 680 a.C.

Acredita-se que Isaías era filho de um príncipe de Judá. Ele certamente se sentia à vontade na presença dos reis (7:3-12; 37:21), e a riqueza de seu vocabulário sugere que ele era um homem culto e erudito. Isaías recebeu um chamado dramático para o ministério profético em determinada altura do ano da morte do rei Uzias, e ministrou por mais de quarenta anos daí em diante, durante os reinados de quatro reis em Judá: Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. Registros tradicionais dizem que Isaías foi martirizado pelo perverso rei Manassés, sendo serrado ao meio depois de 697 a.C.

O nome deste livro profético, Isaías, quer dizer “O Senhor é a salvação”, um nome que bem expressa o tema do livro, bem como o assunto global dos mensageiros de Deus. Como ocorre com todos os livros escritos por profetas, Isaías é o nome de seu autor.

O profeta Isaías é chamado o “príncipe dos profetas do Antigo Testamento” por causa do enorme ímpeto, do caráter majestoso, da visão teológica e do conteúdo messiânico de sua profecia. O texto o descreve como “filho de Amós”, marido de uma profetiza e pai de dois filhos que deveriam ser sinais para a nação (1:1; 8:3,18). As tradições judaicas indicam que ele era primo do rei Uzias. Isaías foi talvez a figura mais monumental dos séculos intermediários da história de Israel.

Dirigido por Deus a se opor com vigor a quaisquer alianças embaraçantes com potências estrangeiras, sua causa era destinada ao fracasso, sendo que tanto o governo como o povo preferiam confiar na força carnal do que nas promessas de Deus.

Até a morte de Ezequias, em 698 ou 696 a.C., Isaías recebia grande medida de respeito, apesar da impopularidade dos seus pontos de vista políticos, e durante o período de reforma religiosa levada adiante por Ezequias, sua influência na religião era significante. Porém, conforme Deus o advertira na visão no templo (6:9-10), a nação, de modo geral, não quis escutar nem sua mensagem espiritual. Durante o reinado de Manassés, o filho degenerado de Ezequias, subiu uma forte maré reacionária contra o severo culto ao Senhor do reinado anterior. Isaías viveu até ver desfeita toda a sua obra, no que diz respeito à política contemporânea. Quanto aos assuntos espirituais, seus compatriotas caíram numa condição de depravação mais desesperadora do que durante o reinado de Acaz. Reconhecendo que era inevitável o julgamento de Deus contra a nação, o interesse de Isaías durante o reinado de Manassés veio a se focalizar mais e mais na tomada de Jerusalém, no cativeiro na Babilônia, e na restauração que se seguiria.

TEMA CENTRAL DO LIVRO

O tema fundamental de todo o livro é “a salvação do Senhor”. Isaías significa literalmente “O Senhor é a salvação”. Na verdade, o plano de salvação é revelado tão abrangentemente na obra de Isaías que Agostinho o chamava de “o quinto evangelho”, e outros se referiram a ele como a “Bíblia em miniatura”.

SÍNTESE DO LIVRO

Isaías é merecidamente conhecido como o profeta evangélico, visto que nos proporciona a mais ampla e clara exposição do evangelho de Jesus Cristo registrada no Antigo Testamento. Semelhante, em determinados aspectos, à epístola aos Romanos no Novo Testamento, Isaías serve de compêndio das grandes doutrinas da era pré-cristã, e se ocupa de quase todos os pontos cardiais na escala da teologia. Acentua de modo especial a doutrina de Deus, sua onipotência, sua onisciência e seu amor redentor. Em confronto com os deuses imaginários dos adoradores pagãos de ídolos, Deus se revela como o verdadeiro Deus, o Soberano Criador do Universo, que ordena todos os acontecimentos da história de acordo com um plano-mestre que ele próprio estabeleceu. Mediante a demonstração de sua autoridade e inspiração de sua Palavra, cumpre maravilhosamente as predições pronunciadas muito antes pelos profetas. Ele é o mantenedor da lei moral, que traz a juízo todas as nações ímpias dos pagãos, inclusive as mais ricas e poderosas dentre elas, e destina-as ao montão de cinzas da eternidade, ao passo que seu povo escolhido vive para lhe glorificar o nome.

É acima de tudo o Santo de Israel que Isaías apresenta como o Senhor que o inspirou a profetizar. Em sua qualidade de Santo, exige acima das formalidades da adoração mediante sacrifícios, o sacrifício vivo de uma vida piedosa. Para este fim, apresenta as mais vigorosas persuasões dirigidas à consciência de seu povo, tanto na forma de advertências e apelos proféticos, como nas ameaças de castigo destinadas a levá-los ao arrependimento. Mas, na qualidade do Santo de Israel, apresenta-se como inalteradamente obrigado para com seu povo da aliança, e o fiador fiel de suas misericordiosas promessas de perdoar-lhes, quando se arrependerem, e libertá-los do poder do inimigo. Está preparado para resgatá-los dos assaltos de seus arrogantes opressores gentios, e trazê-los da escravidão e do exílio para a Terra prometida.

Entretanto, na análise final, até mesmo os crentes israelitas instruídos nos ensinos do Antigo Testamento e usufruindo de incomparáveis privilégios de acesso a Deus, demonstram ser inerentemente pecaminosos e incapazes de salvar-se a si mesmos do mal. Seu livramento final só pode provir do Salvador, do Messias divino e humano. Este Emanuel, nascido de uma virgem, que é o próprio poderoso Rei, estabelecerá seu trono como Rei de toda a terra, e porá em vigor as exigências da Santa Lei de Deus ao estabelecer a paz universal, a bondade e a verdade sobre o mundo todo. Contudo, este Messias soberano obterá o triunfo somente como Servo de Jeová, rejeitado e desprezado por seu próprio povo, oferecendo seu corpo sagrado como expiação pelos pecados deles. Mediante o sofrimento e a morte, libertará a alma não somente dos verdadeiros crentes de Israel como nação, mas também de todos os gentios de terras distantes que abrirem o coração para receberem a verdade. Tanto os judeus como os gentios formarão um rebanho de fé e constituirão os súditos felizes de seu reino milenial, que está destinado a estabelecer o governo de Deus e assegurar a paz de Deus sobre toda a terra.

CONTROVÉRSIAS SOBRE A AUTORIA DE ISAÍAS

Com o surgimento do deísmo no fim do século dezoito, era natural que homens de convicções anti-sobrenaturalísticas levantassem objeções contra as passagens de Isaías que demonstram um conhecimento de eventos futuros. Se o método era tratar os escritos bíblicos como sendo de origem meramente humana, seria uma necessidade inevitável dar a explicação que estas previsões, que pareciam ser tão exatas, foram escritas depois do seu cumprimento, ou pelo menos perto do acontecimento que cumpriria a profecia.

Segundo Johann C. Doederlein (1745-1792), professor de teologia em Jena, o Isaías do século oito a.C. não poderia ter previsto a queda de Jerusalém (em 587) com o cativeiro de 70 anos, e muito menos ter escrito as palavras de consolação a Judá no exílio, que aparecem do capítulo 40 em diante. Além disto, seria obviamente impossível, do ponto de vista racional, para uma pessoa em 700 a.C. prever o surgimento de Ciro, o Grande, que tomou Babilônia em 539 e deu licença aos exilados judeus para voltarem à sua pátria. Este afirma que, o autor destas profecias deve ter sido algum judeu desconhecido que vivia na Babilônia, depois de Ciro ter surgido pela primeira vez como figura de destaque internacional e a queda da Babilônia perante seu império que se expandia. Este suposto autor, vivendo em Babilônia cerca de 540 a.C., veio a ser chamado “Deutero-Isaías”.

O professor Bernard Duhm (1847-1928), trouxe a lume uma teoria de três Isaías, nenhum dos quais vivia na Babilônia. Segundo sua análise, os capítulos 40-55 (Deutero-Isaías) foram escritos cerca de 540 a.C., nalguma parte da região do Líbano, sem deixar claro se foi na Fenícia ou na Síria. Os capítulos 56-66 (Trito-Isaías) foram compostos em Jerusalém no período de Esdras, cerca de 450 a.C.

Estudiosos conservadores indicaram no mínimo quarenta ou cinqüenta frases que aparecem em ambas as partes de Isaías, indicando que ambas pertencem ao mesmo autor. Destas, as seguintes são exemplos típicos:

“Porque a boca do SENHOR o disse”, ocorre em 1:20; 40:5; 58:14.

“Agindo eu, quem o impedirá?” (43:13) é muito semelhante a “Sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?” (14:27).

“Os resgatados do SENHOR voltarão, e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna coroará as suas cabeças” ocorre tanto em 35:10 como em 51:11.

Os escritores do Novo Testamento consideram claramente que Isaías I e Isaías II sejam uma única pessoa. Muitas das citações de Isaías no Novo Testamento poderiam ser interpretadas como sendo referências ao Livro meramente através do seu título tradicional, mas há outras referências que claramente se referem à personalidade do próprio Isaías histórico.

Mateus 12:17,18 cita Isaías 42:1 como sendo “aquilo que foi falado por Isaías, o profeta”.

Mateus 3:3 cita Isaías 40:3 como sendo “referido por meio do profeta Isaías”.

Lucas 3:4 cita Isaías 40:3-5 “conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías”.

Atos 8:28 declara que o eunuco da Etiópia estava lendo o profeta Isaías, ou seja, neste caso, Isaías 53:7,8.

A citação mais conclusiva no Novo Testamento é João 12:38-41. Versículo 38 cita Isaías 53:1; versículo 40 cita Isaías 6:9,10. Então, o apóstolo inspirado comenta no versículo 41: “Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito”. Obviamente foi o mesmo Isaías que pessoalmente viu a glória do Senhor Jesus Cristo na visão do templo em Isaías 6, que também fez a declaração em Isaías 53:1: “Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR?” Não sendo o mesmo autor que compõe tanto o capítulo 6 como o capítulo 53 (e é isto que afirmam de maneira intransigente os defensores da teoria de Deutero-Isaías), então o próprio Apóstolo inspirado estava errado no assunto. Segue-se, portanto, como conclusão lógica, que os que defendem uma teoria de dois Isaías são forçados a conceder, por implicação, a existência de erros no Novo Testamento.

Bibliografia

JR., Gleason L. Archer, Merece confiança o Antigo Testamento? – Vida Nova

ELLISEN, Stanley, Conheça melhor o Antigo Testamento – Editora Vida

LAHAYE, Tim, Bíblia de Estudo Profética - Hagnos

A Bíblia Sagrada, Edição Revista e Corrigida – Editora Vida (1984)

Wanderson Rivas Pereira, pastor e aluno do curso Bacharel em Teologia da Esutes.

Araçatuba-SP, 22/08/2010.

15 comentários:

  1. parabens pela estudo sobre isaias

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    1. Obrigado pelos parabéns.... ficamos felizes em poder ajudá-lo a crescer no conhecimento da Palavra de Deus..... se ainda não é nosso seguidor, faça isso agora mesmo.... como membro do nosso blog, você será avisado sobre todas as atualizações e novos artigos que forem postados. A paz do Senhor Jesus.

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  2. Embora breve, é um estudo bastante esclarecedor.....parabéns

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    1. Muito obrigado. Que o Senhor Jesus o abençoe grandemente. Já é seguidor deste blog? Será um prazer tê-lo como membro de nosso blog.... se puder, divulgue entre seus contatos.

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  3. parabens, muito me ajudou em um trabalho

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    1. Ficamos felizes em poder ajudá-lo....muito obrigado por visitar nosso blog..... já é seguidor? Se ainda não, se torne seguidor deste blog, será um prazer tê-lo como nosso amigo. Que a paz do Senhor Jesus reine em seu coração.

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  5. muito confuso este comemtario espero que o proximo comentario seja mais esclarecedor obrigado

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    1. Querido irmão, tentamos ser o mais claro possível neste breve comentário, mas se restou alguma dúvida, nos comunique que vamos tentar ajudá-lo. Cremos que o texto está bastante esclarecedor, embora o mesmo esteja bastante resumido, porém, se houve alguma confusão para a interpretação do texto, nos comunique o que você não entendeu para que possamos te responder da melhor maneira possível..... fique na paz do Senhor Jesus

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  6. Eu não entendi o final como pode não ser Isaias ter escrito este livro se foi comandado por Deus pararevelaçoes sobre o Senhor Jesus.

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    1. E aproveitando, se você ainda não é seguidor deste blog, se torne seguidor a partir de agora, será um prazer tê-lo como membro do nosso blog.... é só clicar em "participar deste site". Se puder, divulgue nosso blog entre seus contatos.

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  7. Querido irmão, no final do artigo apenas são apresentadas todas as correntes teológicas que acreditam não ser um único profeta quem escreveu todo o livro de Isaías, porém, se você observar na conclusão do artigo, você verá que defendemos veementemente que foi um único profeta, ou seja, Isaías, quem realmente escreveu todo o livro conforme se segue: Obviamente foi o mesmo Isaías que pessoalmente viu a glória do Senhor Jesus Cristo na visão do templo em Isaías 6, que também fez a declaração em Isaías 53:1: “Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR?” Não sendo o mesmo autor que compõe tanto o capítulo 6 como o capítulo 53 (e é isto que afirmam de maneira intransigente os defensores da teoria de Deutero-Isaías), então o próprio Apóstolo inspirado estava errado no assunto. Segue-se, portanto, como conclusão lógica, que os que defendem uma teoria de dois Isaías são forçados a conceder, por implicação, a existência de erros no Novo Testamento.

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  8. Muito ...Bom ! Gostei .......Deus lhe abençoe !

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  9. mas como pode isso, se o novo testamento fala a cerca do profeta Isaias, se e a confirmação do Antigo testamento, pois não pode haver dois profetas com o mesmo nome naquele tempo. num dos evangelhos de jesus cristo esta escrito a cerca do profeta. Quando jesus abriu o Livro e achou escrito; o espirito do senhor esta sobre min, e me enviou a anunciar o ano aceitável da salvação, dar vista aos cegos, curar os paralíticos, libertar os oprimidos. e muito mais. não entendi essa.

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  10. Querido irmão "anônimo", assim como você, nós também cremos que foi apenas um um único profeta quem escreveu todo o livro de Isaías. Em nenhum momento o artigo diz que não foi Isaías quem escreveu todo o livro, apenas são apresentadas todas as correntes teológicas que creem que foi mais de uma pessoa que escreveu todo o livro, porém, no final do artigo, se o irmão ler com bastante atenção, verá que nós defendemos que apenas um único profeta, e este com certeza Isaías, poderia ter escrito todo o livro, senão, as referências ao livro de Isaías contidas no Novo Testamento seriam contraditórias, não é mesmo?!? Leia novamente todo o artigo e procure entende-lo, pois você verá que pensamos igualmente a você. Grande abraço e fique na paz do Senhor Jesus.

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